quinta-feira, 22 de outubro de 2009

No-one ever leaves a star


Eu sou uma pessoa que tem um defeito incrível: eu não consigo começar a fazer uma coisa e continuar me interessando pela coisa anterior, como as pessoas normais fazem. Eu comecei a fazer coisas do blog novo, que só deve ficar pronto em dezembro ou janeiro. Dai, puf, comecei a achar esse aqui tão chinfrim e chatinho. Sério, não sei como vocês aguentam.
Alguém viu o Profissão Repórter de terça? Viu? Lembra da louca de vestido legal passeando por Higienópolis? É ela a Shiva Paranormal citada nesse post.
Olha, me deixa me lamuriar um pouco que se não fosse esse o objetivo eu não tinha blog, tinha vida, emprego, sei lá, cachorro. Por falar em cachorro: queria um tanto aqui agora. Pessoas que têm cachorros adoráveis, moram em São Paulo e vão viajar: me emprestem seus cachorros. Bom pra mim, bom pra você.
Eu decidi fazer um curso de meditação em janeiro, no Rio. O esquema é: dez dias, não pode falar, não pode mentir (fácil considerando que não pode falar e o único sinal que eu conheço é com os dedos e costuma ser bem sincero), não pode usar celular, computador, ouvir música... Se alguém morrer, minha mãe liga pra um dos professores e eles decidem se me contam ou não. Enfim, medita o dia todo e não pode qualquer coisa que não seja meditar, comer quase nada e meditar mais um pouquinho. Surtar é liberado. A questão é: o curso não é pago, os professores não são pagos... Ah, eu não posso falar muita coisa, mas é um esquema que impede que eles sejam charlatões. Podem ser loucos, mas, nesse caso, são loucos que acreditam na maluquice deles.
Eu estou sendo julgada socialmente por essa história de curso porque, né, meditação, wth. Mas, observe: pra que esperar completar quarenta para ter uma crise de meia idade? "A gente guarda o que comer, não o que fazer", já dizia minha avó. Embora em todos os outros casos eu guarde o que fazer, no quesito surto mantenho minhas tarefas em dia. E tem sido um ano difícil, sabe. Não ruim. Definitivamente não ruim, mas difícil. Eu me mudei, eu larguei meu emprego que me pagava bonitinho e do qual eu não era demitida nem se quisesse, eu conheci meu atual namorado e vim morar com ele sendo que a gente só tinha passado um final de semana juntos, meu cachorro (meu amado, idolatrado e idoso cachorro) foi expulso do prédio, depois outras coisas já superadas, depois a minha melhor amiga surtou, depois eu não consigo encontrar algo que eu realmente goste, queira fazer e dê certo aqui em São Paulo, daí faço freelas que são ótimos, mas quem já viveu de freela sabe como é complicado (digo: a parte financeira definitivamente não é a coisa mais complicada. O complicado é que a gente nega, mas precisamos de pessoas, inclusive de pessoas chatas. E de rotina).
O que mais? Ah, se eu tivesse ficado em Salvador me formaria no ano que vem. Ainda tenho que decidir se vou fazer USP, pedir aproveitamento das matérias e terminar o curso aqui ou se deixo pra lá. Thiago quer se mudar (sim, de novo! E vai ser super legal se acontecer), mas não dá pra se mudar se eu quiser me formar. Enfim, enfim, ano confuso. E em dezembro eu completo 22 anos. Só eu achava que pessoas de 22 anos compravam casa própria e labradores? Eu não sei fotografar como eu queria, conheço meia dúzia de livros de três autores, estou gorda e blá blá blá *insira aqui toda essa conversa que todo mundo que lê esse blog já está cansado de ouvir*.
Ao mesmo tempo, eu acho que toda essa insatisfação que parte de todo mundo é só ego. Quem disse que eu devia saber fotografar? Quem disse que eu merecia um emprego legal? Se não passassemos tanto tempo achando que fomos predestinados às coisas boas aproveitariamos o que temos sem tanta chatice. Sim, conversinha de zen antes mesmo de ir ao mosteiro, mas é o que eu acho.
Eu fico pensando se todo esse nosso problema em sermos trocados/demitidos/esquecidos parte da questão prática de que isso machuca e nos faz perder coisas ou se parte do nosso imenso ego com a patinha quebrada. Sabe, uma vibe Norma Desmond: "No-one ever leaves a star. That's what makes one a star". A partir do momento que você se vê como uma pessoa vulnerável e largável, baby, you are not a star. Eu entendo que essa constatação doa na Norma Desmond, mas é meio patético que ela doa tanto assim em mim.
O primeiro passo de um curso de meditação é querer muito. Querer tanto que você consiga superar a incredulidade e as piadas (justas, diga-se de passagem) das pessoas que te cercam. E você tem que fazer isso sem muitos argumentos, afinal, você conseguiria citar uma pessoa legal que faz meditação? A ex-mulher do Ronaldo Fenômeno faz meditação, isso não pode ser um bom indicativo. O Salinger faz meditação, mas o biógrafo dele jura que ele também bebe xixi, então, deixa pra lá.

Juliana Cunha

8 comentários:

Thamy disse...

quero fazer curso de meditação...eu ficaria sem falar, mas tipo, eu converso comigo mesma...
então..

mas fazer meditação não é a minha praia sou muito tagarela

Fabiane Ariello disse...

Cara, é a vibe do momento, todo mundo na crise dos 25 (ok, a sua chegou bem mais cedo, mas é que vc é superdotada).

Te admiro pela coragem do curso, eu bem que precisava desacelerar e focar, mas acho que em dois dias eu já enforquei todos no recinto com um cadarço de tênis. :(

Anônimo disse...

Chata.

enquanto dá disse...

Caraca, não, na minha época 22 anos era no máximo idade pra estar no meio do curso... não não sou anciã e tenho pena da geração que já tem esse peso de ter conseguido coisas com apenas, é apensas 22 anos...

Rejane disse...

Acho ótimo quem se propõe a fazer meditação. Tenho um tio (muito legal por sinal) que faz todos os dias às três da manhã (pra ele o melhor horário). Acorda, senta na cama e faz (há anos e anos). É preciso muita disciplina e constância.
Tenho 43 anos e ainda não passei por nenhuma crise. Será um mau sinal?
Dias melhores pra você!
:)

Alice disse...

'Pessoas que têm cachorros adoráveis, moram em São Paulo e vão viajar: me emprestem seus cachorros.'

sempre quis fazer essa campanha em Porto Alegre...

Valéria disse...

Salve, Juliana!
Espero que o curso de meditação seja uma experiência incrível, mas se não for, é possível desertar? rss
Sei que esses encontros são cercados de um certo sigilo..
É importante que estejamos indefesos para mergulharmos numa experiência dessas, sem reservas.
Há muito tempo participei de uma versão tosca.
Um encontro que se propunha a inúmeras coisas, inclusive à meditação.
Podíamos comer ...podíamos falar...E isto foi, realmente, um problema.
A 'pregação' estava em completo desacordo com tudo em que acreditava.
Ao final do primeiro dia, minha 'meditação' se resumia a uma prece fervorosa na qual eu pedia:
Oh, Deus Onipresente! Criador do céu e da terra me faça sumir deste lugar. rss
Ele não me fez sumir, mas intercedeu, e quando me dei conta, estava cercada por uma espécie de dissidência da melhor qualidade.rss
Saí de lá, como entrei...Não cresci, não me descobri...
Mas fiz amigos, e isso não tem preço!
Juliana, cheguei ao seu blog por puro acaso, e gostei do que li.
Você tem o dom!
Embora escreva que está numa fase de suposta desorientação, enxerguei em você uma garota segura e com muitas chaves.
Vamos lá,
Você já percebeu que está no ego, a raiz das nossas insatisfações, e que não somos
'as jóias da corôa'.
Coisas boas e ruins estão por aí e um dia vão nos alcançar,
O ego da maioria das pessoas as torna impermeáveis a esse entendimento.rss
Você está descobrindo que nem sempre dá pra ser feliz e sobreviver, simultâneamente.rss
Rotina, pessoas chatas, tarefas áridas, congestionamentos, geralmente são ítens do pacote de sobrevivência.
Quando penso no ofício do ator, aquele de teatro, acho fascinante. Só sensibilidade!
Estudar lindos textos, ensaiar belos gestos, figurino de acordo...
Então, na melhor das hipóteses, ele faz sucesso e vai recitar aquele mesmo texto por meses ou até anos (cruzes!), e na pior, o público não comparece e todo o investimento é perdido.
Ah, no kit de sobrevivência vem também o ítem remuneração, que por melhor que seja é sempre insuficiente.rss
Você ainda nem ganhou, mas em algum lugar já tem alguém criando e bolando uma campanha publicitária para um produto completamente desnecessário, sem o qual você não conseguirá viver...rss
São muitas, as portas para abrir, e acredite, a hora da certeza absoluta nunca chega.
Tudo relativo, nada absoluto.
Penso que na volta do curso você postará no blog o que for publicável sobre a experiência.
Espero lembrar, pois terei prazer em ler.
Você é uma graça.
Por Deus, Juliana, você só tem vinte e dois anos e parece que já se tem nas mãos.

Beijos,
Valéria

v. disse...

estranho não poder falar sobre o curso, já que existem informaçoes disponiveis na internet.

deve ser o mesmo que pretendo fazer, creio.

este aqui: http://www.dhamma.org/pt/code.shtml

boa sorte, espero que seja bom pra ti.