Eu sempre tenho curiosidade pra saber o que teria acontecido se eu tivesse feito isso e não aquilo. Mas a dúvida mor é sobre o que teria acontecido se eu não tivesse começado a escrever e meio que acidentalmente feito disso um meio de sobrevivência. Porque, observe, eu não queria escrever, eu não decidi isso pra minha vida. Eu queria editar umfanzine . Como não tive a competência necessária para convencer ninguém a escrever nele, acabei escrevendo. Por causa disso, acabei escrevendo no jornal e - por ser preguiçosa demais pra procurar outra vocação - acabei escrevendo até hoje.
Queria saber que tipo de problemas eu teria se, por exemplo, o que eu soubesse fazer fosse cantar. Eu provavelmente nunca teria brigado com ninguém por ter escrito sei lá o que, mas talvez tivesse problemas com namorados por ciúmes. Quer dizer, coisas tipo o Paul Simon chamando Annie Hall pra sair depois que ela cantou num bar realmente acontecem?
Deve ser um tipo interessante de problema, embora eu ache que dons musicais são inconvenientes para a pessoa que os tem. Observe: você sabe cantar. Grande coisa. Agora vai ter que achar quem toque bateria pra você, quem venda ingresso pra você. E, quando achar, vai ter problemas com essas pessoas. E, se quiser viajar, mudar de vida, vai ter que procurar tudo de novo. Além disso, se a pessoa despreza o seu trabalho, ela despreza na sua cara. Sabe, isso é muito constrangedor. Não tem uma caixa de comentários que você lê se quiser, modera se quiser. A pessoa simplesmente está ali, na sua frente, fazendo cara de ventilador pra sua música.
É difícil manter uma dose saudável de auto-estima diante dessa situação. O bom de ser jornalista é que as críticas raramente são direcionadas. Nêgo acha sua matéria ruim e diz que "jornalistas-são-uma-bosta-tá-vendo-que-não-precisa-de-diploma". Algo de bom esse ofício tinha que trazer.
Juliana Cunha
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
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4 comentários:
Sou estagiário não remunerado de mim mesmo e escrevo desde os 5 anos de idade, quando fui alfabetizado. A letra dizem que é feia, então há 20 anos que escrevo com letra feia. Há um ano e alguns meses e dias escrevo em meu próprio blog e que ganho com isso? Um dia saberei.
Eu não me imagino fazendo outra coisa que não seja jornalismo. Mesmo com as surras que a gente leva de quando em vez de pessoas aleatórias - e ignorantes - que dizem no "espaço do leitor/ouvinte" e na caixa de comentário - em 98,3% dos casos anonimamente - que você não sabe escrever, se posicionar ou formar opinião. E quase sempre quem escreve isso também não sabe. Mas temos filtros (que não são de Marlboro) e a opção "foda-se" ao alcance de nossas mãos.
:*
O bom de cantar é que você é praticamente obrigado a aprender como se entra no modo "cavalo em 7 de setembro" - cagando e andanto pros outros baterem palma.
É pra chegar nesse modo que algumas pessoas fazem aula de canto/teatro como terapia - para "se desenibirem".
É o macete "ligar o f0%@-se" e começar a cantar. Recomendo aulas de canto e teatro pra todo mundo, dá uma segurança legal.
Amei teu texto, eu não vejo fora de uma cozinha!! E meu pai queria que eu fosse médica!!! J´amais!!
@valeriaberriel
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