Eu não entendo essa gente que está sempre querendo tomar partido em coisas nas quais elas não têm nenhum poder de decisão. Tomar partido para mim é uma coisa chata e lastimável que nós fazemos apenas quando não tem jeito, quando precisamos dizer algo para a coisa toda desempacar. Tomar partido quando nossa opinião é inócua é tão divertido quanto ir a farmácia e escolher nossa marca favorita de fixador de dentadura, sendo que nunca tivemos sequer uma cárie.
Entendo perfeitamente que a eleição americana é importante e que se um candidato for eleito acontece X e se o outro for eleito acontece Y, embora realmente não acredite que o candidato que se assemelha mais a esquerda necessariamente seria melhor para a América Latina, como se costuma pensar por aqui, onde quase todo mundo é de esquerda. Os democratas, justamente por não inventarem guerra no Iraque, enchiam muito mais os pacovás aqui do quintal com Alcas e todas essas coisas. Compreendo, enfim, que as pessoas se importem com o resultado das eleições de outro país e façam avaliações, mas absolutamente não compreendo que tomem partido. Para mim é exatamente como tomar partido na briga de um outro casal ou para que a novela tome determinado rumo. Não faz sentido. Quando eu leio um livro ou vejo um filme ou assisto um barraco na rua, só quero que aquilo me entretenha. Se no final o personagem que eu julgo que estava certo vence simplesmente não interessa. Só se preocupar em definir quem estava certo já me soa patológico, para dizer a verdade. Ver pessoas aqui em Salvador decidindo de forma muito séria e científica quem merece vencer nos Estados Unidos é bizarro. E são exatamente as mesmas pessoas que "votariam em Gabeira se morrassem no Rio". Mas elas não moram no Rio, pra que diabos pensam nisso? A necessidade compulsiva de tomar partido costuma ser vista como TER OPINIÃO. Ter opinião para mim é, por exemplo, achar que coisas como método construtivista são pura babaquice inventada pelas escolas. Ter compulsão por tomar partido é decidir em qual escola seus filhos estudariam sendo que você não tem filhos, não planeja tê-los e não teria dinheiro para pagar a tal escola escolhida caso engravidasse semana que vem. Portanto, vamos fazendo o favor de tirar a foto de Obama do desktop.
terça-feira, 4 de novembro de 2008
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12 comentários:
Isso lembra a época do acidente da TAM em Congonhas e a imeadiata transformação de todos os brasileiros em aviação, administração pública e pistas com 'grooving'.
e do Orkut também, agora!
Todo Brasileiro é um perfeito "Especialista no Serviço do Outro". Ele entende de tudo, Medicina, Economia, política, Eletrônica, etc...
Tem o perfeito diagnóstico para tudo, menos o seu próprio trabalho. Para este ele tem sempre uma boa desculpa que justifica todas as falhas.
Parabéns pelo Blog.
Helvécio
Agora é só esperar a hora da cagada.
Eu gosto do Obama mas paro por ai. Não votei, não é meu presidente e para falar a verdade, não entendo nada de política para dar opinião.
enquanto isso a prefeitura de Salvador...Bl...
isso é ser muito egoista; como se o que importa é o com está ligado diretamente a nós. o bem e o bom é sempre válido, independente aonde seja e a quem seja, sempre!
uma opinião e tanto a sua! gostei!
nao tem um post seu q eu nao adore.
Qual a diferença entre não concordar com o, como é mesmo?, metódo construtivista e preferir Obama a Macain? Ambas são opiniões. Em ambos os casos se está, com a opinião, expressando um modo de ver as coisas e de alguma maneira contribuindo, individualmente, pra que esse modo de ver as coisas tenha eco.
hahahhahahahaahhha
Muito bom.
O texto ta bem redigido como sempre e ta bem bacana.
Contudo a necessidade de opinar é do ser humano, ainda mais você que convive com jornalistas, deve ser maior ainda.
É como o ego para os publicitários.
O barroquismo dos advogados.
A pose dos médicos.
A razão para os engenheiros.
É a capacidade de emitir opinião, e fazer com que os outros mudem de opinião algo essencial para os jornalistas.
Parabéns pelo texto.
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