quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Troca de fichas

Eu tenho uma teoria de que o ranking de beleza na escola é feito por auto-declaração. O que vier primeiro e disser "Eu sou o menino mais bonito da sala", fica sendo o menino mais bonito da sala. Na minha escola, por exemplo, tinha esse menino franzino, dentuço, narigudo e com um nome esquisito que ficou sendo o mais bonito da sala por uns sete anos, apenas porque, lá na quinta-série, ele gritou primeiro que era bonito. Se eu tivesse um filho, diria pra ele gritar antes e solucionaria problemas de auto-estima e conflitos amorosos pelo menos até o terceiro ano do ginásio. Depois disso, se ele fosse feio, eu dava a dica para passar o resto da vida namorando meninas que conheceu na escola e que, portanto, ainda acreditam que ele é bonito.
Já a minha tia tinha uma teoria de que era necessário ter visão de futuro. Ela dizia para minha prima caçula que era preciso vislumbrar quais daqueles meninos iam ficar bonitos ou interessantes. Não importava quem era bonito naquela idade porque todo mundo sabe que existe uma espécie de sorteio por volta dos 17 anos, uma troca de fichas, e pessoas que anteriormente eram bonitas ou legais viram idiotas obesas. O raciocínio era: se você descobre um bom partido antes de ele ser um bom partido, ele será grato a você. Se a minha prima visse em um dos meninos mais tímidos e pouco requisitados de sua turma da quarta-série um super bom partido, ele ficaria surpreso e grato e permaneceria assim até os oitenta anos de idade. Acho que tem a ver com posicionamento de marca, fidelização e descoberta de novos mercados.

Juliana Cunha

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Auto-ajuda com Johan


O fim de semana envolveu dez horas de filme. De todas elas, acho que poderia grifar com marca texto e colocando estrelinha no gmail a frase de Johan no começo de Cenas de um Casamento: "Manter-se satisfeito exige uma certa técnica". Técnica esta que depois da terceira hora de filme ele esqueceu, mas, tá valendo. "Manter-se satisfeito exige uma certa técnica" é o lema da semana.
Para mim, manter-se satisfeito exige iPod, sapatilha, mochila no lugar de bolsas e filtro solar manipulado fator 30. O dia facilmente melhoraria se o filtro fosse 60 e se rolasse um plano de dados ilimitado pro iPhone. Ter a senha da internet do Senac já melhoraria sensivelmente meu humor nas segundas, quartas e sextas à noite. Conviver o mínimo possível com pessoas também ajuda. Na verdade, conviver o máximo possível com pessoas, mas com o menor número de pessoas possível. Me parece que sete é, além do número mágico mais poderoso segundo minha amiga J. K, também o melhor tamanho de rede social. Chocolate, filmes, sms, algum exercício físico e a luz certa fazem milagres pelo meu dia.
Em vez de almejar objetivos complexos, acho que bastaria procurar mais atenuadores da chatice diária.

Juliana Cunha


quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Pride and Prejudice and Zombies


Thiago Blumenthal escreveu um post incrível sobre uma editora que publica uns livros tipo "Sense and Sensibility and Sea Monsters". Os livros fazem paródia da Jane Austen, só que incluindo zombis e monstros marinhos em cenas que antes envolviam geléia de amora e amor. O post está aqui.
Daí eu entrei no site da editora e descobri que eles fazem coisas realmente legais como capa do cd do Vampire Weekend, um livro que foi lançado no Brasil como "A Vida Secreta dos Grandes Autores" e que o Allan Sieber ilustrou, o "Penis Pokey Activity Book" e um caderninho com fotos de paredes pra você grafitar. Não satisfeitos, eles ainda têm uma sessão com posters legais para você imprimir de graça. Vou imprimir o do "Pride and Prejudice and Zombies" com certeza, mas esse do "Dirty Dance Moves" e o das crianças batendo no Barney também são merecedores.

Juliana Cunha

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

uncertainty is a bitch.


O problema de não ter um relacionamento depois dos 18 ou uma carteira assinada depois dos 20 ou um casamento depois dos 26 ou um filho depois dos 34 não é que você fica triste e insatisfeito por não ter qualquer desses itens, é que você deposita toda essa agonia normal dos seres vivos na falta daquele item. Talvez seja por isso que, apesar da chatice, eu entendo porque os solteiros e os freelas sempre tendem a uma certa militância. A gente precisa provar para os outros e para a gente que sim, estamos entediados ou sem dinheiro ou até infelizes, mas não é por esse motivo que os casados com carteira assinada pensam.

Juliana Cunha

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Recall aplicado às relações interpessoais

Eu gosto daquela cena na primeira temporada de Gossip Girl quando Blair chama o Chuck e o Nate pra contar que Serena matou uma pessoa (spoiler, blá, blá, blá. Quem até hoje não sabe disso é porque nunca vai saber mesmo) e fica toda uma tensão sobre contar ou não para os meninos porque,né, assassinato é meio pesado até pra essa galera. Daí o Chuck diz algo como "Ah, vamos lá, ela é sua melhor amiga e ficou com o seu namorado. Eu sou o melhor amigo do seu namorado e fiquei com você e todo mundo aqui é amigo do mesmo jeito. Você pode contar qualquer coisa pra'gente". É uma cena bonita ao seu modo. Algo meio Morro dos Ventos Uivantes: Nós não prestamos, mas amamos você. Eu acho importante ter um núcleo de amigos que te ame independentemente do seu caráter porque a gente sabe como ele tarda e falha várias e várias vezes.
Estou com preguiça de colocar o dvd e checar, mas lembra daquela cena de Clube da Luta em que ele está no avião e explica a uma estranha como a montadora calcula se faz não um recall depois de um acidente? Algo como você calcula o quanto vai custar fazer o recall e o quanto vai custar simplesmente abafar o caso. Se o preço do recall for superior, que se danem as próximas vítimas. Acho que com amigo é exatamente a mesma coisa. Um amigo te faz algo e você calcula o quanto gosta dele, o tempo que já perdeu com ele e as coisas boas que já te fez e compara com a sacanagem. Convenhamos, se excluir os fatores orgulho e senso de auto-preservação, a conta sempre vai pesar para o lado do perdão.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Não dá pra ser feliz, não dá pra ser feliz


A constatação de que São Paulo não paga melhor que Salvador me deixou chocada, mas nada se compara ao choque causado pela dura constatação de que São Paulo é mais quente que Salvador. Sim, eu nunca tinha vindo aqui no verão (e olha que tecnicamente nem estamos no verão). 
Pensa num abafadinho grudento de poluição e com requintes de crueldade como, por exemplo, um metrô que transporta três milhões de pessoas suadas e ensebadas por dia. Como disse Camila, "Yo São Paulo, I´m happy for you and Imma let you finish, but Salvador has the best breeze of all time". Gente, peloamordedio, vento é fundamental. Você está sedento, caminhando no estilo Malu-Magalhães-Espírito-Livre-Não-Uso-Sapato pelo mármore do inferno e não sopra uma única brisa amiga. 
Vamos supor que você tivesse espalhado penas pela Rua Funchal hoje de tarde, quando eu estava lá, fritando e ficando vermelha mesmo usando filtro solar. Certeza que as penas estariam intactas agora. Certeza. Não dá pra ser feliz assim não, djow. 

Juliana Cunha

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Natal é na Escandinávia

Na feirinha de antiguidades do Masp tem essa dupla de vendedores que acha que "natal mesmo é na Escandinávia. Não é como aqui, que só tem luz" e que vende bambis de porcelana. "Porcelana alemã", como eles fazem questão de frisar. Você paga R$ 80 por um bambi de menos de cinco centímetros e sai de lá achando que assaltou uma relíquia sagrada de tão bons vendedores que os dois tios são.


Se eu já não tivesse um relicário para colocar o novo bambi, teria que providenciar.



Relicário ainda sem bambi ao lado da Pequena Bailarina de Quatorze Anos, do Degas.


Essas flores que eu custei a acreditar que fossem de verdade (só acreditei porque soltam um cheiro bem forte) se chamam flores de cera e cresceram no quintal da minha sogra.


Minha ambição com a coleção de bambis é atingir um resultado semelhante a esse aqui.


Juliana Cunha