Eu tenho uma teoria de que o ranking de beleza na escola é feito por auto-declaração. O que vier primeiro e disser "Eu sou o menino mais bonito da sala", fica sendo o menino mais bonito da sala. Na minha escola, por exemplo, tinha esse menino franzino, dentuço, narigudo e com um nome esquisito que ficou sendo o mais bonito da sala por uns sete anos, apenas porque, lá na quinta-série, ele gritou primeiro que era bonito. Se eu tivesse um filho, diria pra ele gritar antes e solucionaria problemas de auto-estima e conflitos amorosos pelo menos até o terceiro ano do ginásio. Depois disso, se ele fosse feio, eu dava a dica para passar o resto da vida namorando meninas que conheceu na escola e que, portanto, ainda acreditam que ele é bonito.
Já a minha tia tinha uma teoria de que era necessário ter visão de futuro. Ela dizia para minha prima caçula que era preciso vislumbrar quais daqueles meninos iam ficar bonitos ou interessantes. Não importava quem era bonito naquela idade porque todo mundo sabe que existe uma espécie de sorteio por volta dos 17 anos, uma troca de fichas, e pessoas que anteriormente eram bonitas ou legais viram idiotas obesas. O raciocínio era: se você descobre um bom partido antes de ele ser um bom partido, ele será grato a você. Se a minha prima visse em um dos meninos mais tímidos e pouco requisitados de sua turma da quarta-série um super bom partido, ele ficaria surpreso e grato e permaneceria assim até os oitenta anos de idade. Acho que tem a ver com posicionamento de marca, fidelização e descoberta de novos mercados.
Juliana Cunha








